Crônicas de um Universo Paralelo

O sentido da vida, é a ambüidade das metáforas...

Quinta-feira, Julho 10, 2008

...

Aparece e some como chamas no deserto.
Me odeia, me chuta, me despreza...
Para, olha e respira. Se rende.
Amor difícil, amor odioso.
/
Te afasta, mas volta. Briga.
Dentro dos seus olhos eu vejo;
Empurra-me, mas me teme...
Teme cair em meu mundo.
/
Cospe, esperneia, se agita.
Me renega, mas sente por mim.
No fundo de teu âmago, me arrasta;
Mas na porta de teu ser, me afasta.
Amor passageiro, amor invisível.
/
Por um instante me conhece e se entrega.
Pela eternidade, se afasta e me teme.
Amor passageiro, amor desconhecido

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Sonho em poder sonhar

Podemos caminhar em direção ao futuro, e sonhar com a liberdade.

Sentir o vento correndo por nossos cabelos, e imaginar a perfeição.

O mundo pode apenas ser maravilhoso nos sonhos;

Tal qual, apenas horrível pode ser nos sonhos.

Tudo o que vemos, ouvimos, sentimos, e demais imos,

São o mero reflexo da burocracia natural.

Não maravilhoso, não horrível; ocorrências naturais.

Mãos humanas jamais atingirão a perfeição.

De fato, nada que possua mãos ou raciocínio pode atingir a perfeição.

Admito a divindade? A divindade natural talvez.

Descobrir o ”porque” e o “como”, são prejudiciais.

Basear criações (evoluções?) em “porque” ou “como”,

Significa fadar seu fruto a uma inevitável falha.

Coisas devem ser feitas, porque devem ser feitas.

Sem querer soar clichê, a perfeição já foi atingida;

Ela se chama árvore.

Um raciocínio simples, baseado na sobrevivência.

Um sonho simples, viver.

A condição humana nos permite criações magníficas.

Chamam-se sonhos.

Tão impecáveis e magníficos quando formulados.

Tão simples, práticos, complicados e impraticáveis;

Quando tornados realidade.

Sonhos aterradores baseados em ódio, ou amor.

Potencialmente destrutivos, perfeitos, impecáveis.

Quando sonhos.

Inúteis, desprovidos de propósito, impraticáveis;

Quando realidade.

Vejamos o planeta Terra como um corpo gigante.

Perfeita em todos os aspectos.

Funcionando porque precisa funcionar.

Combatendo um câncer que corrói grande parte de seu corpo.

A humanidade.

As grandiosas catástrofes naturais, são seu sistema imunológico.

Mas infelizmente para ela, nós somos uma doença inteligente.

Aprendemos a prever seus ataques, e em algumas oportunidades, evita-los.

A Terra possui um sonho, poder sonhar.

Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

Pesadelos de Marx e Engels


Bukowski uma vez disse em um livro: “Como é que alguém pode ter prazer em ser acordado por um despertador às 6h30, saltar da cama, vestir-se, engolir qualquer coisa, cagar, mijar, escovar os dentes e cabelos e lutar contra o trânsito para chegar a um lugar onde a tarefa é essencialmente produzir dinheiro para outra pessoa e onde ainda lhe pedem que demonstre gratidão pela oportunidade". Hoje pela manhã, uma matéria em um jornal regional, trazia uma psicóloga dando “dicas” de como se portar numa entrevista de emprego, e nos meses de teste. Pois bem, a tal psicóloga afirma que as empresas buscam pessoas que “casem” com elas. Não pessoas que apenas façam seu trabalho, e sejam mal remuneradas por isso, mas alguém que mostre total submissão, e um entusiasmo titânico em conceder sua vida a uma empresa.

Essa é a alma do capitalismo; não apenas um cordeirinho coordenado por pastores-empresários, mas cordeirinhos que se mostrem felizes e empolgados pela exploração. Fazer milhões para as empresas, e receber uma ínfima parte, que chega a ser insultante aos trabalhadores, não é mais suficiente. O proletariado precisa vender sua alma, vestir seu melhor sorriso e gritar ao mundo “Por favor, me explorem!”.

Quanto mais da dignidade humana, pode ser removida da fatia menos provida de capital? Se ao menos uma vez o socialismo não fosse usado como desculpa para criar ditadores, e fosse levado um pouco mais ao pé da letra... Mas essas são apenas divagações e sonhos... Quem sabe um dia alguém irá utilizar as idéias do Manifesto para algo nobre, e não apenas uma auto-promoção, e desculpa para uma tirania.

Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

A christmas Carrot


Mais um natal se aproxima. Enquanto as famílias e amigos se reúnem para celebrar, eu busco meu tão mal-visto isolamento. Não um isolamento estilo rebelde/pseudo-revolucionário/odiador dos bons costumes/espaço aberto para demais denominações que melhor lhe aprouverem, mas sim um isolamento um tanto quanto divertido.

Talvez eu esteja buscando uma epifania milagrosa, digamos, uma viagem espiritual, que acabará com a minha ida a missa de natal, que eu não sei se recebe uma denominação própria, como no caso da missa do galo (alguém sabe por que a missa do galo recebe tal nome? Eu sempre fico imaginando a origem de tal tributo galináceo), ou se o alto escalão religioso contentou-se em nomear tal missa como missa de natal; não muito criativo eu admito, mas funciona.

Quem sabe eu espere a redenção pelos três espíritos de Dickens; mas aceitemos o fato de que eu indisponho do conforto monetário que Mr. Scrooge, sendo assim, não me creio qualificado a receber tal redenção. Mais um luxo destinado a elite branca. Por acaso alguém ouviu falar em fantasmas redentores para o proletariado? Até imagino como seria: “Para todos aqueles desprovidos de comodidade monetária, o SUR (Sistema Unificado de Redenções) oferece a redenção gratuita! Logicamente que por gratuita queremos dizer uma longa lista de espera, aonde é obrigatório que o contratante comprove a sua total falta de condições monetárias, a sua inferioridade perante a elite, a sua carteira de “Eu sou brasileiro e não desisto nunca”, uma cópia autenticada da sua submissão às morais previamente e devidamente impostas à sua vida e um comprovante de analfabetismo. Após esse procedimento ter sido concluído, aguarde até que algum fantasma esteja livre, e o encaminharos a sua pessoa assim que possível. Obs em letras minúsculas: Há a possibilidade de o fantasma natalino visitar-lhe durante a páscoa ou dia de finados, mas garantimos a sua redenção, ou seria rendição?”.

Ainda há a possibilidade de eu apenas estar fazendo uma crítica/piada/ tirada sarcástica com uma data celebrativa, da qual eu não vejo nenhum motivo a ser celebrado.

Domingo, Dezembro 02, 2007

Super Chávez


Em que situação deve ter ficado a Venezuela nesse domingo? O tal referendo chavista deve ter mantido as pessoas acordadas por muito tempo nesses últimos dias. Por um lado, o referendo propõem diminuição da carga horária de 8 para 6 horas diárias, a criação de um fundo para pagar aposentadorias da economia informal, o direito ao voto aos 16 anos; mas o referendo também confere a Chávez poderes ilimitados, ampliação de mandato de 6 para 7 anos, reeleições ilimitadas, controle do Banco Central, etc. Os novos poderes de Super Chávez concedem a ele tudo de que necessita para modificar toda a Venezuela, no que melhor lhe aprouver.

Chávez se considera o herói, o salvador da América. Esse heroísmo raramente tem bons resultados; ele tende a subir a cabeça das pessoas e deturpar sua visão no quesito “fins justificam meios”, e é exatamente nesse ponto de fragmentação entre realidade e heroísmo que surgem “Heróis” como Hitler, Napoleão, Stálin, Saddam, Bush, e porque não, Chávez. O mundo precisa de heróis, essa necessidade é comprovada. Mas infelizmente essa necessidade por ícones, tende a levar a aceitação de personagens movidos por um ego gigantesco, e mania de herói.

A Venezuela foi seduzida a aceitar essa concessão de poderio a Chávez, pelo uso de artifícios como redução de carga horária e criação de fundos para aposentadoria, entre outros. Não julgo aqui qual a melhor opção, pois pouco sei da realidade venezuelana, e menos ainda os planos futuros de Chávez.

Devo aqui confessar que me sentia emocionado ao ver Chávez se impondo ao capitalismo estadunidense. Também sentia a necessidade de um herói na América Latina. Mas essa emoção durou muito pouco. Logo canais de televisão sofreram as conseqüências de Super Chávez, armamentos começaram a ser adquiridos em grande escala, mulheres são proibidas de usar silicone, horas e horas de programas dominicais na TV comandados pelo presidente.

Enfim, a linha que separa um presidente de um opressor está se tornando mais fina e frágil. Finalizo com uma pergunta; vocês realmente acham que Hitler se considerava um tirano?

Terça-feira, Novembro 27, 2007

Pérolas aos porcos

Não mais que parcamente conformado admito, que pérolas aos porcos ofereci.

Em troca, três moedas de prata roubadas, recebi.

Uma moeda para o tempo que gastei criando em sua imagem.

Uma moeda para o sentimento que necessitei criar em sua imagem.

Uma moeda recebi ao ver sua máscara desabando aos meus pés.

Olhar o vazio pela janela não me transporta para um sonho.

Sonhar com o exterior da janela, não me transporta para o vazio.

Uma janela me mostra as preciosas palavras que desperdicei.

Uma janela me mostra a liberdade de que abdiquei ao desperdiçar-me.

Uma janela revela-me que quem está livre do lado de fora sou eu.

Ajoelha-te e adora teu confinamento. Abrace seu vazio.

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Tipos, formatos e tamanhos

Sentado em um banco da universidade, apenas observo. Pessoas e mais pessoas passam por mim; algumas inclusive voam. Vários tipos, formatos e tamanhos. Senso de inferioridade digno de Kafka e um egocentrismo que faria Nietzsche parecer um reles mortal; pessoas superficiais e humildes; a formiguinha que trabalha o ano inteiro e o gafanhoto que toca seu violão; pessoas condenadas ao anonimato e pessoas condenadas ao sucesso; revolucionários neo-marxistas e conservadores de extrema direita; fanáticos religiosos e ateus convictos.
Somos comparáveis a pequenos hamsters correndo em suas rodinhas, corremos em direções diferentes, mas nunca saímos do lugar.